terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O quase último dia. Ou... The Golden Circle

Beleza, hora de fazer o testamento. Não, não um testamento pra deixar nada pra ninguém... Falo testamento pq esse post vai ser graaaande já que os últimos dias na Islândia foram intensos!!

Beleza.. Dia 19, sábado. Depois de ter provado o melhor cachorro quente da Europa no Bæjarins Beztu Pylsur e ter assistido ao mais doido grupo Islandês, Reptilicus, no Amsterdam Café na noite anterior, acordamos cedo e fomos fazer o tal do Golden Circle. 1 hora pra conseguir achar a saída de Reykjavík visto que o mapa da cidade era uma bostinha de ruim e precisamos na verdade de ajuda local, o que foi bem fácil de conseguir, o povo é extremamente simpático. Na estrada reconhecemos alguns pontos que o guia da Aurora Boreal indicou o que nos fez saber que estávamos no caminho certo afinal. Parando na estrada pra ir na casinha, o carro marcando -9ºC do lado de fora me deixou um pouco assustada. Seguimos viagem e chegamos no Geysir já por volta de 11am! Muito doido aqueles poços de água quente soltando fumaça e ocasionalmente explodindo e liberando o cheiro fooorte de enxofre... Eita cheirinho ruim, mas confesso que depois de uns 2 dias eu já estava bem acostumada a ele. O tempo frio, absurdamente frio e com um vento sem noção. Pq se sem vento já estava frio, com vento fica 10 vezes pior!!!

The Golden Circle

De lá seguimos viagem pois tínhamos horário marcado com o guia do snowmobiling as 12pm. Fomos voando pro Gullfoss Kaffi (Gullfoss Café) onde fizemos um lanchinho e seguimos em frente para o que seria a maior aventura da minha vida! Na van, um islandês com um sotaque tão forte que não me permitia entender nem metade do que ele dizia em inglês, mas como eu tenho um inglês original comigo, foi fácil saber de tudo o que estava acontecendo. Pelo caminho fui observando que a quantidade de lagos congelados e de gelo nas montanhas e na grama iam aumentando consideravelmente. Com a gente tinham mais alguns ingleses e mais 3 italianos que pegaram a van no meio do caminho. Seguimos viagem e quando eu já estava começando a ficar assustada, paramos. Tinha um container no meio da montanha, sozinho. Descemos da van e entramos lá. O frio era algo que eu não consigo sequer descrever! -15ºC era algo absurdo pra mim! No container nos equipamos com macacão, capas pros sapatos, duas luvas (lã por baixo e borracha com forro de lã por cima), balaclava e capacete. Quando sai do container, fora a parte do rosto que estava de fora por ter a máscara do capacete levantada, o tempo estava já bem agradável, obrigada. Não sentia frio, não sentia calor. Tiramos umas fotos e voltamos para a van para seguir em busca da aventura: esquiar num dos mais antigos glaciares do mundo. O italiano chato sentou do meu lado e ficou gritando pra italiana da frente e pra italiana de trás. A van ia seguindo por uma estradinha estreita e cheia de imperfeições, o que fazia aquele carro grande e pesado balançar um bocado no meio daquele chão deslizante e cheio de neve. Já comecei a assustar daí. E o italiano berrando do meu lado. Daqui a pouco a vista começa a ficar turva por conta do tanto de nevasca que atingiu a montanha. De turvo passou pra branco em poucos segundos. Mal dava pra enxergar um passo do que tinha na nossa frente. E o italiano gritando. Eu olhava para o vidro do motorista e não via absolutamente nada na frente dele. Os vidros laterais embaçando e o carro balançando. Eu que estava só com medo antes, comecei a surtar. De verdade! E aquele italiano berrando no meu ouvido teve tanta ou mais colaboração com isso do que a própria nevasca em si. Pq todas as outras pessoas na van estavam calmas, exceto eu! Se bem que ninguém me viu surtando, vai que mais alguem surtou e eu não vi. Enfim... Sei que de repente o motorista começou a conversar em islandês pelo rádio. Língua estranha que a gente não entende uma palavra sequer do que está sendo dito! De repente, viagem cancelada. O tempo mudou quando não estava previsto e, de acordo com eles, eles sabem seus limites. Aquilo ali tava perigoso demais e eles preferiram não se arriscar a perder alguém no passeio visto que não dava pra enxergar nada! Imagina se eu ia sair daquela van no alto do morro de neve com aquele tempo! Mas nunquinha!!! Em seguida o cara diz que infelizmente precisa continuar subindo pois não tem como ele fazer a manobra ali. Como assim não tem como fazer a manobra, tio?? O golpe final foi quando ele disse que não conseguia ver nada e que estava seguindo a tal estradinha baseado em experiência e gps! GPS!!! Tem noção da largura da estrada? Não?? Era larga o suficiente pra ele não conseguir manobrar! Larga o suficiente pro carro não parar de balançar por chegar na beirada da estrada o tempo todo, em ambos os lados!! Agora... Tem noção da precisão do GPS, ainda mais com aquela nevasca toda no meio do caminho??? Aff de nó do desespero. E o italiano berrando!!! Eu comecei a suar, achei que ia desmaiar pela primeira vez na vida. O Ry tentando me acalmar e tudo que eu queria era tirar aquele monte de roupa sufocando o meu pescoço pq eu simplesmente não conseguia respirar!! Pensa na adrenalina! E eu odeio adrenalina!!! O motorista conseguiu enfim fazer a volta! Ufa!! Depois de algum tempo eu entendi que o italiano do meu lado berrava sem parar por dois motivos: 1 - pq ele é italiano e italianos são escandalosos por natureza; 2 - pq as italianas não sabiam falar inglês e ele tava traduzindo tudo pra elas. Mas pq não senta um do lado do outro, o cazzo!!! Descendo, depois que vi o container de novo, desandei a chorar. Mas eu mantenho a pose mesmo nos momentos de desespero, eu choro baixinho e só quem viu foi o Ry. Eu não sou italiana!! (Mal aê, Thá!:)

The Golden Circle
(Não tá vendo nada, né? Nem a gente via e nem o motorista!!!)

Basicamente foi isso. Tem alguns vídeos que não vão rolar agora, mas provavelmente essa semana ainda. Passamos de volta no container e nos trocamos e fomos ver o Gullfoss, a cachoeira mais linda de todas que já vi na minha vida inteirinha!! Ela tava cercada de gelo e a queda d'água ia pra um buraco sem fim que eu, particularmente, acho que vai dar lááá no centro da terra... Depois da cachoeira, o retorno a Reykjavík pois já estava muito tarde pra ir no parque nacional.

The Golden Circle

Dia seguinte, 20/12, acordamos e fomos no centro de turismo pegar a grana do snowmobiling de volta visto que o passeio foi cancelado. A guia nos alertou sobre o caminho que pretendíamos seguir. Ela disse que os ventos excediam as 20 milhas por hora ou sei lá pelo que e ela disse que quando o valor é de 5 milhas, já indica vento forte e que 20 milhas é simplesmente algo absurdo. Ou seja, na minha segunda oportunidade de conhecer um glaciar, dessa vez o Mýrdalsjökull, quarto maior glaciar da Islândia, o tempo me zuou! De novo!! Tivemos que mudar nossos planos de conhecer o sul em cima da hora e fomos em direção ao norte do país, não sem antes passar pelo parque nacional em Þingvellir. O parque era lindo, antiga residência dos vikings. O problema foi que, mais uma vez, o frio atrapalhava meu passeio. Eu não consegui fazer o caminho inteiro do parque, depois de uns 40 minutos andando eu já sentia meus dedos meio que congelarem de tanto, taaaanto frio!!! Voltei correndo pro carro e ainda deu pra tirar umas fotos no quentinho do aquecedor. Esse papo de aquecedor no carro salva vidas, uma das melhores invenções do ser humano!! De lá seguimos em direção ao norte. Uma vista linda no meio do caminho já que fomos beirando o oceano. Depois de dirigir por horas e basicamente tirar todas as fotos de dentro do carro visto que o tira e pões de roupas depois de uns dias dá no saco, chegamos numa cidade chamada Hvanneyri onde vimos um rio maravilhoso de água muito azul. Tiramos umas fotos, fizemos uns vídeos e descemos em direção a Reykjavík. Paramos numa cidade chamada Akranes que fica numa pontinha da Islândia. Achamos um pier com uma vista lindíssima, demos uma volta na cidade e vimos um dos muitos cemitérios enfeitados para o natal. Tentei tirar umas fotos mas ficaram mais ou menos só. Seguimos em busca de um restaurante e tudo que achamos foi um desses de beira de estrada logo no início da cidade. Comemos uma bela pizza (na verdade a pizza era melhor do que qualquer uma que eu comi na Itália) e voltamos pro hotel exaustos!!

Mais um e na verdade o último dia, dia 21/12. Acordamos tarde depois de tanto cansaço dos últimos dois dias. Não tínhamos tempo sobrando, arrumamos tudo e fomos direto pra tal do Bláa lónið (Lagoa Azul), um lugar absolutamente fantástico de água azul muito muito clara com temperatura de 38ºC, uma delícia levando em consideração o frio que rolava do lado de fora. Muito doido, a gente tem que tomar banho pra se limpar antes de entrar na lagoa, sair correndo no chão cheio de gelo, pendurar a toalha e correr pra dentro da água quente! Com o cabelo molhado e a cabeça levantada por muito tempo, o cabelo começa a congelar!! Engraçadíssimo se não fosse tão frio!! Tem também uns trecos brancos que eu não lembro agora mas servem pra passar na pele e depois de uns 10 minutos ela fica macia que nem bumbum de nenê, uma delícia! De lá corremos pro aeroporto, entregamos o carro e tivemos que esperar um pouco o vôo atrasado em virtude do excesso de neve na Inglaterra. Na hora de pousar em Stansted, o aeroporto tinha sido fechado por conta da neve!! Acabamos pousando em Birmingham, looonge. Pegamos trem pra Londres e de lá pra Basildon e chegamos super mega tarde em casa, mas são e salvos. E não, eu ainda não vi neve!!! :/

As fotos dos dois últimos dias vão ficar pra mais tarde... :)

See ya!!

2 comentários:

  1. hahahaha to vendo as fotos aqui e cascando o bico da sua cara de frio. Na verdade chega um ponto que não dá pra ver anything but the balaclava hahahaha Po, muito show a viagem! Pirei com a parte do relato do trajeto rumo a geleira. Ao contrário de vc, Pri, eu amo adrenalina e passar perigo hahaha Bjão!!

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  2. Rs.... É, agora até eu acho engraçado, mas foi bizarroooo!!!! Rs... Vc vai ver quando eu postar os vídeos, se bem que os vídeos eu filmei nos momentos de calmaria, tenho que ver como vai ficar.. :)

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